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4 de Junho de 2020

Morre mais um herói anônimo da Sociedade

Morreu em confronto com criminosos o 1º SGT PM Ruas na favela de Paraisópolis.

Temístocles Telmo Ferreira Araújo, Professor de Direito do Ensino Superior
há 7 meses
A morte de alguém é sempre um momento difícil e delicado no qual muitas vezes não sabemos como nos expressar. Por mais doloroso que seja, precisamos colocar em mente que com o tempo a dor diminui e sempre teremos momentos incríveis para relembrar.

Nesta tentativa de relembrar que é com imenso pesar que recebemos a notícia da morte do 1ºSgt PM Ruas, da Força Tática do 16º BPM/M, nosso herói, que já não está mais neste plano, estava de serviço, exercia a função de Comandante de equipe de Força Tática.

Aliás, estava trabalhando, para bem servir o povo brasileiro que mora, trabalha, estuda, passeia e desenvolve sua vida no Estado de São Paulo. Trabalho que exercia com afinco só há 31 anos.

Numa abordagem a suspeitos, por volta das 23hs de uma sexta-feira, a equipe do Ruas foi surpreendida por um terceiro criminoso que acertou nosso guerreiro.

Alvejado (01/11) na favela de Paraisópolis, região do Morumbi, foi socorrido ao Hospital Albert Einstein, mas depois de uma luta, madrugada a dentro, pela vida, vem a notícia pela manhã desse dia triste de Finados: o combativo 1º Sgt PM Ruas infelizmente não resistiu e evoluiu para o óbito, sim, pois chegou a ter seu quadro tido como estável em algum momento. Triste!

O marginal foi alvejado na ocorrência e morreu no PS da Lapa os outros dois estão foragidos, acobertados pela tida lei do silêncio, que não nos cabe aqui tecer maiores. Mas uma coisa posso garantir, nossa competente equipe PM Vítima não sossegará um só segundo, e dentro da legalidade, como é a base de nossa Corregedoria, irá buscar estes algozes. Sabem por que? Porque são vocacionados e não desistem nunca, o que os motivam, são cartinhas e mensagens deixadas pelas dezenas de mães, pais, esposas, filhos e filhas, nas lápides do Mausoléu da PM Paulista, como essa aqui:

“Papai, quando eu também chegar ao céu, a primeira coisa que vou fazer é encontrar você. A segunda coisa que farei é nunca mais deixá-lo partir”.
Para nossa Equipe PM Vítima NÃO HÁ PRESCRIÇÃO.
Quem era o Sargento Ruas: era um Profissional ímpar, que poderia já estar aposentado, estava com 31 anos de serviço, mas estava firme e combativo, Policial Militar, pai de 03 filhos e marido digno. Pudemos, ouvir agora a pouco no Mausoléu da Polícia Militar em tributo ao Dia de Finados, o testemunho embargado de emoções de nosso Comandante Geral Coronel de Polícia Militar Salles, que comandou o Ruas quando Comandante do CPA/M-5: perdemos um professor.

Igual testemunho fez meu parceiro de trabalho, Cabo de Polícia Militar Saraiva, que trabalhou com o Ruas lá nos anos noventa (1990), tive a honra de estagiar em sua "barca".... e ainda completou que encontrou o professor Ruas num evento que fizemos no CPA/M-1 (2018) destinado aos integrantes de Forças Especiais, e que o questionou: o senhor não vai aposentar? Ele disse: "ainda tenho muito pra dar"..."...vou até meu último dia...".

O dia infelizmente este último dia foi ontem: 01/11.

A Polícia Militar mais uma vez está de luto.

E a sociedade? não sabemos! Já que pouco se importa com a vida e dignidade daqueles que a defende. Exatamente desta forma. Com o sacrifício da própria vida. Se houver alguma notícia, porque manchete não virá, já arrisco um palpite. Policial morre em confronto com suspeito. Ou talvez: suspeito é morto pela Polícia Militar. Aí teremos que ler a matéria para saber que também morreu o Ruas.

Mas prefiro registrar entre tantas mensagens de apoio dos amigos bons, o testemunho do amigo Charles Autran, advogado, que nos disse: "Amigo Telmo, muito triste! A sociedade precisa ter consciência que perdeu um anjo que guarda a família.Quando morre um policial é preciso saber que ele morreu por nós.O marginal atirou contra nós e o sgt Ruas usou o próprio corpo como escudo para nós proteger".

Aos amigos que estão e ficarão acordados até sabe-se lá quando, Comando da Capital Paulista Cel PM Ramos, Cel PM Bento CMT do Pol Area 5, Ten Cel PM Douglas Ferreira e Maj PM Maia, do 16º BPM/M e seus comandados, não temos palavras, perder um guerreiro no campo de batalha é como perder um filho. Não há como descrever as vossas e as nossa dor.

Então nosso apoio e na torcida que o criador conforte o coração de todos. pois neste momento nos resta minimizar a dor da família de sangue e de honra, já que o professor Ruas partiu para uma nova missão.

Em nossas vidas, a mudança é inevitável. A perda é inevitável. A felicidade reside na nossa adaptabilidade em sobreviver a tudo de ruim. (Buda)

Cel PM Telmo - Comandante da Escola Superior de Sargentos, escola do 1º Sgt PM Ruas, aqui fez o Curso de Formação (CFS) e Aperfeiçoamento (CAS).


Para quem ainda tinha dúvida, está aí uma das manchetes:

Sargento morre em confronto, e PM faz megaoperação em Paraisópolis, em SP.

Com um conteúdo bem típico, destacamos:

“Um sargento da Polícia Militar morreu”. Não senhores. Morreu o 1º Sargento da Polícia Militar Paulista, herói anônimo de um povo sofrido, de uma sociedade doente.

“após se envolver num confronto com criminosos”. Não! Nós policiais militares não nos envolvemos em confrontos. Somos técnicos, forjados com honra, coragem e dedicação. Fomos atacados por criminosos, que se valem da impunidade para enfrentar o Estado.

“Segundo a versão oficial da PM”. Não! Por segundo a versão oficial, com ar de que é mentira.

“No confronto, além do sargento, um dos suspeitos acabou baleado”. “Os dois suspeitos que foram abordados por Ruas conseguiram fugir e abandonaram no local uma arma de fogo, que foi apreendida”. Suspeito. Ou seja, infrator da lei, criminoso, bandido, marginal não deve estar na técnica de redação do responsável pela matéria.

“Em nota, a Polícia Militar lamentou a morte de Ruas”. Sim. Lamentamos. E vocês que representam a voz da sociedade? Olha como seria bom ler. Nós também lamentamos. Mas isso é utopia.

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/11/sargento-morre-em-confrontoepm-faz-megaoperacao-em-paraisopolis-em-sp.shtml

https://temistoclestelmo.jusbrasil.com.br/noticias/776182419/morre-mais-um-heroi-anonimo-da-sociedade

6 Comentários

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Só se reconhece herói, quando perde a vida. Então, a vida é muito mais importante, do que, o tal heroísmo, então, é melhor não ser herói, porque o preço é muito alto, perder a vida na minha humilde opinião, não tem nada de heroísmo nisto. Qual é o valor da vida, um reconhecimento humano, que, daqui a pouco, ninguém mais se lembrará, há não ser em datas específica, agora, pergunte na íntegra para a família, se tem alguma coisa nesta terra que compense este heroísmo, aonde, filhos, esposa, mãe e pai e, pessoas que amava este ser, estas pessoas não queria este título, o que elas queria, era a pessoa e, não heroísmo, porque, o tal heroísmo representa uma sangria sem precedentes. Acorda Brasil. continuar lendo

Excelente Cmt. continuar lendo

Esse é um verdadeiro herói que tive o privilégio de trabalhar com ele e posso dizer uma lenda que fará falta no contingente da PMESP continuar lendo

Perfeitas palavras, Comandante! Capitão PM Rogério S Júlio continuar lendo